Intervalos na Teoria Musical

Chama-se intervalo a diferença em altura entre duas notas.

O intervalo é o mesmo tanto quanto as notas soam juntas (intervalo harmônico) como quando soam uma após a outra (intervalo melódico).

Cada intervalo diferente possui sua qualidade sonora específica, determinada pela relação entre as frequências das duas notas.

Cada nota produz uma série harmônica, constituída de sua fundamental e de uma espécie de “espectro sonoro” de harmônicos ou sons parciais.

Ao fazer soar duas notas simultaneamente, suas duas fundamentais e respectivos espectros harmônicos se combinam.

No caso de duas notas com a mesma altura, as duas séries harmônicas coincidem, a isso se dá o nome de uníssono.

No caso de duas notas com uma oitava de distância, as duas séries harmônicas se reforçam mutuamente, isso é a oitava.

Denominação dos Intervalos

Os intervalos podem ser identificados por sua posição na escala diatônica.

O mais fundamental de todos os intervalos é o de oitava; ele determina a primeira e a última notas da escala.

Todos os outros intervalos são, então, nomeados de acordo com sua distância da primeira nota da escala, a tônica.

São chamados então de segundas, terças, quartas, quintas, sextas, e sétimas.

Esse sistema cobre as oito notas da Escala maior diatônica, Incluindo a oitava.

Porém, como vimos anteriormente, a oitava é dividida em doze semitons, produzindo 13 notas diferentes incluindo a oitava.

Há um sistema de nomenclatura que define cada intervalo como sendo justo, maior, menor, aumentado ou diminuto.

Entre os intervalos diatônicos, o termo justo, aplica-se ao uníssono, à quarta, à quinta e à oitava.

Os intervalos de segunda, terça, sexta e sétima podem ser tanto maiores como menores.

O intervalo formado entre a tônica e a nota situada entre a quarta e a quinta é chamado de trítono.

Devido à nomenclatura enarmônica, o mesmo intervalo pode possuir mais de um nome, de modo que o trítono pode ser chamado tanto de quarta aumentada como de quinta diminuta.

Quando abaixado em um semitom, um intervalo maior torna-se menor.

Quando elevado em um semitom, o intervalo menor torna-se maior.

Quando elevado em um semitom, um intervalo maior torna-se aumentado.

Quando abaixado em um semitom, um intervalo menor torna-se diminuto.

Quando elevado em um semitom, um intervalo justo torna-se aumentado.

Quando abaixado em um semitom, um intervalo justo torna-se diminuto.

Intervalos Compostos

Quando a nota que forma o intervalo de segunda com a tônica está uma oitava acima, é chamada de nona. Ela é naturalmente maior; quando abaixada, fica menor; quando elevada, fica aumentada.

Quando a nota que forma o intervalo de terça com a tônica está uma oitava acima, é chamada de décima, ela pode ser maior ou menor.

Quando uma nota que forma um intervalo de quarta com a tônica está uma oitava acima, é chamada de décima primeira. Ela pode ser justa, aumentada ou diminuta.

Quando a nota que forma o intervalo de sexta com a tônica está uma oitava acima, é chamada de décima terceira. Ela pode ser maior, menor ou aumentada.

Consonância e Dissonância

As diferentes qualidades sonoras de cada intervalo podem ser definidas utilizando-se os termos consonante e dissonante.

Isso porque alguns intervalos parecem possuir um som mais estável. São o uníssono, a terça, a quinta, a sexta e a oitava. São classificados como consonâncias “perfeitas” ou “relativas”.

Outros possuem um som “menos estável”, “não resolvido”. São a segunda e a sétima. Podem ser chamados de dissonâncias “fortes” ou “brandas”.

A quarta tanto pode ser consonante como dissonante. O trítono possui uma qualidade ambígua. Por isso, é classificado como neutro ou instável por si só, mas dissonante num contexto diatônico.
tabela-de-intervalos-musicais

Intervalos no Braço do Instrumento

Os intervalos operam como tijolos na construção de todos os acordes.

Para compreender o papel dos intervalos na harmonia e na construção dos acordes, é preciso aprender a identificar de ouvido, os intervalos.

A característica sonora de cada intervalo é sempre a mesma, não importa quais sejam as duas notas envolvidas.

Dessa forma uma terça menor de C (dó) a Eb (mi bemol), por exemplo, possui a mesma qualidade sonora que uma terça menor de D (ré) a F (fá).

O braço do violão permite estabelecer um padrão de intervalos, que permanece válido seja qual for o ponto do braço onde é executado.

Qualquer nota pode ser considerada a tônica, e todos os outros intervalos se relacionarão, então, com essa nota.

Ao tocar em uma tonalidade específica, seu nome será o da tônica.

Vejamos um exemplo: Ao tocar o primeiro padrão na imagem abaixo, com o primeiro dedo no 3º traste da 6ª corda, a tônica será a nota G (sol).

Todos os outros intervalos se relacionarão, assim, com o G (sol).

Partindo do 5º traste, a tônica será o A (lá).
intervalos-no-braco-do-violao

Esses padrões são valiosos no estudo de acordes e dedilhados de escalas.

Empregam-se algarismos romanos para simbolizar os intervalos, da mesma maneira que se faz com os acordes, (ver post Teoria dos três acordes).

A única diferença é que os números em maiúsculas são utilizados especificamente para os intervalos maiores e justos; os números em minúsculas representam intervalos menores; o sinal de adição indica um intervalo aumentado e um pequeno círculo (sinal de grau º) indica um intervalo diminuto.

Inversões de Intervalos

Dizemos que um intervalo foi invertido quando sua nota mais baixa passa a ser a mais alta, ou vice-versa.

Isso é feito elevando-se a nota mais baixa, ou abaixando-se a nota mais alta em uma oitava.

Ao ser invertido, o intervalo se altera e torna-se um novo intervalo, com um valor diferente.

O fato importante a ser levado em conta nas inversões é que, em relação a oitava, o novo intervalo é simetricamente equivalente ao antigo.

Consideremos um exemplo em C (dó maior).

Tomemos o intervalo entre a 1ª nota C (dó) e a 4ª nota F (fá); trata-se de uma “quarta justa”.

Vamos agora, invertê-lo de forma que a nota mais baixa passe a ser F (fá), e a nota mais alta C (dó).

Em sua nova forma, ele se tornou uma “quinta justa”.

Somadas a quarta e a quinta constituem uma oitava.

Isso significa que a nota F (fá) está uma quarta acima de C (dó), e uma quinta abaixo desta.

Obviamente, o mesmo ocorre se tomarmos um intervalo de quinta justa “em C (dó maior), de C (dó) a G (Sol)”.

Ao ser invertido, ele se transforma numa “quarta justa”.

Mais uma vez, os dois intervalos somam uma oitava. A nota G (sol) está uma quinta acima de C (dó), e uma quarta abaixo desta.

As regras que governam as outras em inversões funcionam da mesma maneira.

Assim, qualquer nota de uma escala pode ser relacionada a tônica, tanto a partir de cima como de baixo.

inversoes-de-intervalos

Regras para Inversão

Vimos anteriormente que a inversão faz uma “quarta justa” tornar-se uma “quinta justa” e uma “quinta justa” tornar-se uma “quarta justa”.

Embora ambos os intervalos permaneçam justos, a inversão altera consideravelmente suas funções.

O mesmo se aplica quando um uníssono se torna uma oitava ou uma oitava se torna um uníssono.

A inversão de um “intervalo de segunda” cria um “intervalo de sétima”, e a inversão de um “intervalo de sétima” cria um “intervalo de segunda”.

As qualidades maior ou menor mudam, mas ambos os intervalos continuam dissonantes em seu caráter básico.

Uma “terça” torna-se uma “sexta” e uma “sexta” torna-se uma “terça”, quando invertidas.

As características maior e menor também se alteram, mas ambos os intervalos permanecem consonantes.

Uma “quarta aumentada” quando invertida torna-se uma “quinta diminuta” e vice-versa.

As qualidades sonoras porém são exatamente as mesmas, já que os intervalos são enarmônicos.

Invertidos ou não, continuam apresentando uma distância de seis semitons entre as duas notas.

Essas informações são apresentadas visualmente no diagrama abaixo.
regras-para-inversao-de-intervalos
Podemos considerar que os intervalos invertidos encontram seu “ponto de equilíbrio” na quarta aumentada e na quinta diminuta, cuja inversão não altera suas características sonoras.

Intervalos de Quinta e de Quarta

O trabalho com acordes no violão e na guitarra é, muitas vezes, relacionado de maneira puramente intuitiva.

O instrumentista apóia-se na sua prática musical.

Mas há também aqueles que baseiam esse trabalho com acordes numa compreensão mais técnica dos elementos envolvidos.

Para isso, é fundamental o conhecimento dos intervalos e de suas inversões.

Além de saber reconhecê-los de ouvido quando são tocados, o que demanda algum tempo e prática, é também necessário que certas relações entre os intervalos formados por duas notas fiquem associadas aos nomes dessas notas.

Tomemos como exemplo o “intervalo de quinta”. É o intervalo formado pelas notas C (dó) e G (sol), C (dó) mais grave, e G (sol) mais agudo.

É também o intervalo formado pelas notas D (ré) – A (lá), E (mi) – B (si), F (fá) – C (dó), G (sol) – D (ré), A (lá) – E (mi) etc.

Saber que esses pares de notas, nessa ordem, formam “intervalos de quinta”, é extremamente útil para orientar todo o trabalho de acompanhamento com acordes.

Um exemplo: se você tem um acorde de G (sol), considerado como “tônica” (portanto grau I da escala), e quer montar o acorde de dominante correspondente (ou seja o acorde V), as coisas ficarão bem mais fáceis se você souber que a quinta de C (dó) é G (sol maior).

Por outro lado, se você estiver em G (sol), dominante de C (dó), e quiser encontrar a tônica, bastará lembrar que a “quarta” de G (sol) é C (dó).

Note que esta relação entre o “intervalo de quinta” e sua inversão, o “intervalo de quarta”, é a base dos movimentos I-V (quinta) e V-I (quarta).

Isso fica claro no esquema abaixo, onde as notas se referem tanto a intervalos como aos respectivos acordes.

intervalos-de-quinta-e-de-quarta

Um bom exercício é fazer esses acordes no violão, para deixar gravada a relação existente entre eles.

Toque por exemplo, C (dó) tônica – G (sol) dominante, D (ré) tônica – A (lá) dominante, procurando interiorizar essas denominações.

Faça o mesmo depois com os “intervalos de quarta”: G (sol) dominante – C (dó) tônica, A (lá) dominante – D (ré) tônica.

Você também pode trabalhar com esse quadro da seguinte maneira: cubra com uma folha de papel as duas colunas da direita e diga que nota está situada uma quinta acima de cada uma das que aparecem na coluna da esquerda.

Repita o mesmo com os “intervalos de quarta”, cobrindo agora apenas a última coluna da direita.

O conhecimento dos intervalos de terça (na outra imagem abaixo neste post), completa as noções básicas sobre intervalos e suas inversões.

Os intervalos de “quinta e terça” (bem como suas respectivas invenções, a “quarta e a sexta”) são a base da formação dos acordes.

Todo conhecimento de teoria musical se apóia na automatização dessas relações de intervalos.

Intervalos de Terça e de Sexta

Juntamente com os “intervalos de quinta”, as “terças” são os intervalos mais frequentes na prática musical diária.

Na imagem abaixo, estão relacionados os “intervalos de terça maior” e suas correspondentes inversões, os “intervalos de sexta menor”.

intervalos-de-terca-e-de-sexta

Vale a pena praticar um pouco a memorização desses intervalos.

Seguindo o mesmo esquema do exercício anterior, cubra as duas colunas da direita e tente memorizar as notas situadas uma “terça maior” acima de cada uma das notas da coluna à esquerda.

Tende interiorizar as relações de intervalos dizendo: tônica C (dó) – terça E (dó), tônica E (mi) – terça G# (sol sustenido) e assim por diante.

Depois faça o mesmo com os intervalos de “sexta menor”: terça E (mi) – tônica C (dó) e assim por diante.
fonte: Toque – Ralph Denyer

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Autor: Airton

Profissional freelancer atuando nas áreas de Design Gráfico, Produção Gráfica e Web Design. Desenvolvo projetos para mídias impressas e digitais. Sempre interessado nos avanços das tecnologias, métodos e processos, venho me dedicando ao estudo do Marketing Digital. "Músico por paixão" :-)

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