Progressões de acordes e as principais cadências

Durante o desenvolvimento da harmonia diatônica, estabeleceram-se regras relativas ao movimento de um acorde para outro, nas progressões de acordes e as principais cadências.

Tais regras baseavam-se em concepções escritas sobre o que constituía consonância e dissonância. Sua função era organizar as mudanças de acordes dentro de uma tonalidade, de modo a fazer o acorde de tônica aparecer claramente como “Acorde Central”, criando o melhor e mais lógico efeito “linear” entre dois acordes.

Cadências

O papel dos acordes primários, os mais importantes, era determinado por aquilo a que se dá o nome de “Cadência”.
A Cadência delimita uma frase conclusiva, ou uma frase que sugere conclusão.
Ela normalmente ocorre no final, ou próxima ao final, de uma melodia ou sessão musical.
Existem quatro cadências nas progressões de acordes primários.

A “Cadência Perfeita” é a resolução do acorde V (de dominante) para o I acorde (de tônica).
A “Cadência Imperfeita” é a progressão do acorde I (de tônica) para o acorde V (de dominante).
Ela ocorre normalmente no meio de uma sequência e não no final, podendo também ser utilizada para realizar o movimento de qualquer acorde para o V, geralmente o II, o IV ou o VI.

A “Cadência Plagal” é a resolução do acorde IV (de subdominante) no acorde I (de tônica).

A “Cadência Interrompida” ou evitada é a progressão do acorde V (de dominante) para qualquer outro acorde além do I (de tônica), geralmente o III, o IV ou o VI.

Cadência na Escala menor Harmônica

Nas sequências de acordes em tons maiores, essas cadências conferem um sentido definido de movimento, tensão e resolução. Entretanto, em tons menores, o acorde V (de dominante) é uma Tríade menor, e não maior, isso significa que ele não produz o mesmo efeito quando utilizado em cadências. Por isso, a sétima nota da escala menor foi elevada em um semitom, para criar a escala menor harmônica.

As tríades construídas sobre as notas da escala menor harmônica produzem, assim, uma série de acordes diferentes: I menor, II diminuto, III aumentado, IV menor, V maior, VI maior e VII diminuto.

Nota-se que o acorde V é maior ao invés de menor, como consequência, as regras sobre cadências podem ser aplicadas da mesma maneira, tanto a tonalidades maiores como às menores.

  • Um acorde I pode mudar para qualquer acorde.
  • Um acorde II pode mudar para qualquer acorde, exceto o I.
  • Um acorde III pode mudar para qualquer acorde, exceto o I e o VII.
  • Um acorde IV pode mudar para qualquer acorde.
  • Um acorde V pode mudar para qualquer acorde, exceto o II e o VII.
  • Um acorde VI pode mudar para qualquer acorde, exceto o I e o VII.
  • Um acorde VII pode mudar para qualquer acorde, exceto o II e o IV.

A escala de Am (Lá menor harmônica) harmonizada.

Para evitar o acorde V menor, que ocorre quando as tríades são construídas sobre a escala menor natural, a sétima nota foi elevada em um semitom, resultando num acorde V maior. Isso permite aos acordes primários seguirem as regras da “Cadência” também nas tonalidades menores.

triades harmonizadas A menor harmonico

Movimento em Progressões

As regras básicas da harmonia tradicional costumam ser ilustradas em uma escrita musical a “quatro vozes”.

As tríades tornam-se acordes a quatro vozes quando uma de suas notas é dobrada, ou seja, uma nota é repetida numa altura diferente.

A nota dobrada é tradicionalmente a tônica, ou então a quinta. Nas progressões a quatro vozes, tanto o resultado vertical como o horizontal de todas as quatro notas de cada acorde submetem-se a uma estrita regulamentação convencional.

Apresentamos a seguir algumas das regras da harmonia tradicional que você provavelmente encontrará durante seus estudos.

Nenhum conjunto de duas vozes pode mover-se em quintas ou oitavas “consecutivas” (também chamadas de “quintas ou oitavas paralelas”).

Menos rígida é a regra que proíbe quintas ou oitavas “ocultas”. Estas ocorrem quando duas partes, partindo de um intervalo qualquer, com exceção da própria quinta ou oitava, se movem na mesma direção (movimento paralelo) para chegar a uma quinta ou a uma oitava; isto, segundo a regra, só é possível quando a voz superior não se move mais do que uma única nota, ou quando nenhuma das vozes proeminentes “soprano e baixo” está envolvida nesse movimento.

Sempre que for possível, as notas comuns entre dois acordes devem permanecer na mesma voz. O ideal é que o movimento melódico de cada voz se efetue nos menores intervalos possíveis. Fazer um salto de intervalo de trítono (três tons) numa voz era estritamente proibido.

Tais regras formam a moldura básica da harmonia tradicional, e foram estabelecidas entre os séculos XVI e XVII. Porém, na mesma época em que eram estabelecidas, já vinham sendo desobedecidas pelos compositores. Tudo era considerado válido, desde que tivesse uma justificativa harmônica ou melódica importante, ou soasse bem no contexto, apesar de desobedecer as regras.

À medida que o gosto musical se alargava para incluir novos conceitos de consonância e dissonância, as várias regras que proibiam movimentos específicos de voz e acordes tornavam-se mais flexíveis.

Com a inclusão de notas não diatônicas, foram introduzidos novos acordes, o que ampliava a possibilidade de “modulação” de uma tonalidade para outra.

Nos séculos XVIII e XIX, as regras fundamentais da progressão de acordes giravam em torno dos pilares tonais; os acordes I (de tônica), IV (de subdominante) e V (de dominante).

Revendo a tabela de intervalos, é possível observar que os acordes IV e V equilibram a tônica com quintas perfeitas para ambos os lados.

Notas comuns

A esta altura, deve ter ficado aparente que, na construção de tríades sobre as notas de uma escala maior ou menor, cada nota pode desempenhar diferentes funções.

Como qualquer tríade contém três notas: a tônica, a terça e a quinta, e como cada nota pode desempenhar qualquer um desses três papéis, segue-se que cada nota pode pertencer as três tríades.

Dê uma olhada na escala harmônica de Am (Lá menor), acima nesse post. A primeira nota O A (Lá) aparece em três tríades diferentes; a de Am (Lá menor) I, a de Dm (Ré menor) IV e a de F (Fá maior) VI.

Nos exemplos abaixo, utilizamos a escala de C (Dó maior) e suas tríades diatônicas para mostrar como esse princípio é aplicado.

A nota C (Dó) é a tônica da tríade de C (Dó maior). Ela é, também, a terça menor da tríade relativa de Am (Lá menor), e a quinta justa da tríade subdominante de F (Fá maior).

Os exemplos mostram cada uma das sete notas diatônicas, indicando as três tríades onde a nota aparece.

Transferindo-se esses princípios à teoria (através da utilização de algarismos romanos), eles podem ser aplicados a qualquer tonalidade. Com isso, você terá uma sólida base para a compreensão da harmonia de acordes.

A tônica C (Dó)

tonica-C

É a quinta justa do acorde IV (Fá maior)
É a terça menor do acorde VI (Lá menor)
É a tônica do acorde I (Dó maior)

A sobretônica D (Ré)

sobretonica-D

É a quinta justa do acorde V (Sol maior)
É a terça menor do acorde VII (Si diminuto)
É a tônica do acorde II (Ré menor)

A mediante E (Mi)

mdiante-E

É a quinta justa do acorde VI (Lá menor)
É a terça maior do acorde I (Dó maior)
É a tônica do acorde III (Mi menor)

A subdominante F (Fá)

subdominante-F

É a quinta diminuta do acorde VII (Si diminuto)
É a terça menor do acorde II (Ré menor)
É a tônica do acorde IV (Fá maior)

A dominante G (Sol)

dominante-G

É a quinta justa do acorde I (Dó maior)
É a terça menor do acorde III (Mi menor)
É a tônica do acorde V (Sol maior)

A submediante ou relativa A (Lá)

submediante-ou-relativa-A

É a quinta justa do acorde II (Ré menor)
É a terça maior do acorde IV (Fá maior)
É a tônica do acorde VI (Lá menor)

A sensível B (Si)

sensivel-B

É a quinta justa do acorde III (Mi menor)
É a terça maior do acorde V (Sol maior)
É a tônica do acorde VII (Si diminuto)

Escolha dos acordes na criação da Harmonia

O princípio das notas comuns, apresentado acima, significa que podemos escolher qualquer um dos três possíveis acordes para harmonizar uma nota melódica ou de baixo especifica.

Se a nota do baixo for, por exemplo, C (Dó maior), podemos utilizar com acordes tanto C (Dó maior) como F (Fá maior) ou A (Lá menor).

Vimos também no post de tríades, que é possível “inverter” tríades.

As quatro escalas harmonizadas abaixo apresentam diferentes progressões de acordes para a mesma série de notas de baixo ou tônicas; neste caso, as notas da escala de C (Dó maior).

Compare-as com as tríades em suas posições fundamentais (com a tônica no baixo), apresentadas na escala harmonizada em “A escala de C (dó maior) harmonizada numa sequência de Tríades” no post de tríades.

Harmonia com tríades primárias

Utilizando inversões pode se construir uma escala harmonizada usando apenas tríades primárias (I IV e V)
triades-primarias

Harmonia com tríades primárias e secundárias

O primeiro exemplo mostra que podemos variar ainda mais introduzindo inversões das tríades II e VI.

O segundo exemplo emprega as duas invenções das tríades I (tônica) e II (sobretônica).

Na última escala harmonizada, são empregadas inversões da tríade subtônica Bb (Si bemol) para substituir os acordes II e IV; embora em termos estritos, a tríade de subtônica não pertença propriamente à escala maior diatônica.
triades-secundarias

Cadências no violão

Se você pegar o violão e tocar uma sequência arbitrária de acordes, empregando as primeiras posições que lhe vem à cabeça, perceberá que algumas passagens dessa sequência fazem mais sentido do que outras.

Sem dúvida, algumas progressões se consolidaram na prática como mais eficientes que outras, para produzir um sentido musical; são as que envolvem os acordes I, IV e V.

Esses acordes, que constituem o fundamento da harmonia, são os acordes empregados para elaboração das cadências.

Cadência são, portanto, pequenas progressões padronizadas, espécie de pilares da tonalidade, em torno dos quais são dispostas outras progressões, para conferir variedade à harmonização.

Cada tipo de cadência tem sua sonoridade própria. Algumas terminam no acorde de tônica (I), outras no acorde de dominante.

A chamada cadência interrompida ou evitada recebe essa denominação porque, ao invés da resolução “normal” V – I, ela resolve em outro acorde, evitando a tônica.

É interessante travar contato com as cadências não só no aspecto teórico, mas também praticando-as no violão. Você perceberá como elas têm um efeito semelhante ao das pontuações do discurso verbal.

A cadência perfeita, por exemplo, corresponde a um ponto final, dando à frase musical que ela encerra um sentido conclusivo. Não é sem razão que ela aparece invariavelmente no final das músicas.

Já a cadência imperfeita corresponde aos dois pontos, pois interrompe o discurso musical para criar expectativa em relação ao que vem a seguir.

Abaixo, estão exemplos dessas cadências na tonalidade de C (Dó maior).

Lembre-se de que a cadência é construída apenas pelos dois últimos acordes. Ou seja, ela constitui a terminação da frase.

Nos exemplos dados, as cadências aparecem no final de progressões de acordes. As notas excluídas da posição estão assinaladas com um X.

As cadências perfeita e plagal terminam sobre a tônica, e têm, portanto, um efeito conclusivo. As imperfeitas e interrompidas (ou evitadas) tem um efeito suspensivo, já que “pedem” uma continuação da progressão harmônica.

Cadência perfeita (V – I)

cadencia-perfeita

Cadência imperfeita (I – V)

cadencia-imperfeita

Cadencia plagal (IV – I)

cadencia-plagal

Cadência interrompida (V – VI)

cadencia-interrompida

fonte: Toque – Ralph Denyer

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Autor: Airton

Profissional freelancer atuando nas áreas de Design Gráfico, Produção Gráfica e Web Design. Desenvolvo projetos para mídias impressas e digitais. Sempre interessado nos avanços das tecnologias, métodos e processos, venho me dedicando ao estudo do Marketing Digital. "Músico por paixão" :-)

3 comentários em “Progressões de acordes e as principais cadências”

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