Ritmo e Andamento

metrônomo

Manter o ritmo e andamento é a capacidade de tocar toda uma música sem acelerar ou retardar a marcação rítmica (ou, como se diz no jargão musical, sem “atravessar”).

Envolve também a capacidade de manter o ritmo vivo e presente, e de dar ênfase a certas notas (ou pausas) exatamente no mesmo momento que os demais músicos da banda.

Especialmente nos primeiros estágios do aprendizado, quando a concentração está voltada para a posição correta dos dedos e para os sons dos acordes, a marcação rítmica pode parecer difícil.

Em geral, no início o andamento varia, ora apressando, ora caindo, e o ritmo frequentemente perde em precisão e segurança.

Mas essas habilidades aumentam com a prática, pois estão diretamente relacionadas à confiança e a experiência.

Assim como a afinação, a marcação é básica e pode prejudicar o efeito da música se não for razoavelmente boa.

Mesmo sendo “instintiva”, a marcação rítmica pode ser analisada e comunicada através de notação musical.

Mostraremos aqui as diferentes maneiras de representar esta marcação.

Pelo fato de muitos violonistas / guitarristas tocarem de ouvido, isso pode parecer desnecessário.

No entanto, não há dúvidas a respeito da utilidade de se compreender os componentes do ritmo, isso acelera o aprendizado, pois dá consciência do que está se fazendo.

Além disso, o conhecimento de notação rítmica é vital para se tocarem músicas com base em partituras, como também para escrever peças suas, progressões de acordes ou arranjos próprios.

Andamento e ritmo são os componentes básicos da marcação.

Andamento

Andamento é a velocidade de uma peça musical.

Um andamento especifico é medido por um determinado número de pulsações ou tempos por minuto.

Cada pulsação é representada, em geral, por uma semínima.

Isso significa que a música pode ser acelerada ou retardada alterando-se seu andamento, isto é, tocando um número maior ou menor de pulsações (tempos) por minuto.

As indicações musicais referentes ao andamento estão na imagem abaixo. Veja no menu Acessórios os equipamentos usados para marcar o andamento.

Ritmo

Ritmo é a maneira pela qual um determinado andamento é tocado.

Enquanto o andamento determina quantas notas serão tocadas num dado período, o ritmo estabelece quais delas terão maior ênfase. Assim, é o ritmo que dá o “pique” da música.

Indicações de Andamento

Quando o andamento não é especificado em um determinado número de tempos por minuto, que possa ser controlado por um metrônomo, fica a cargo do regente ou do baterista estabelecer o andamento correto.

Na música erudita empregam-se expressões em italiano para isso.

Indicações de Andamento

Como desenvolver o seu senso de marcação

Tocar com bons músicos é, sem dúvida, o caminho mais adequado para desenvolver o senso de marcação.

É a melhor maneira de se aprender a manter o mesmo andamento durante uma música inteira, e oferece também oportunidades para aprender muito sobre o ritmo e como ele é sustentado.

Numa boa banda, a bateria, o baixo e o violão ou guitarra criam ritmos tocando partes diferentes, e não tocando todos a mesma marcação.

Isso resulta num ritmo “composto”, muito mais complexo e interessante, mas que só se torna possível quando cada músico tem um bom senso de marcação e sensibilidade para captar o que os outros elementos da banda estão tocando.

No entanto, nem todos podem ou querem praticar com outros músicos. E a marcação fica mais difícil quando se toca sozinho.

O principiante

O principiante deve sempre procurar manter andamentos constantes e regulares e deixar para mais tarde as variações de andamento, às vezes usadas para criar efeitos especiais.

O grande perigo de perder a marcação é quando se chega a uma mudança de acordes difícil, ou a uma passagem de solo complicada.

É nesse ponto que um metrônomo ou uma “bateria eletrônica” se revelam úteis.

De fato, eles são uma ajuda insubstituível para se praticar a marcação, pois acusam imediatamente a menor defasagem e ajudam a mantê-la através de batidas constantes e regulares.

Bateria Eletrônica

Atualmente, a maioria dos instrumentistas prefere a “bateria eletrônica”.

No principio, ela era simplesmente um metrônomo eletrônico, mas nos últimos anos os modelos evoluíram muito.

Os mais baratos funcionam a pilha (alguns podem ser adaptados a um amplificador) e se resumem aos ritmos convencionais (os chamados “standards”). Sua utilidade é que conseguem manter um tempo constante.

Já as baterias eletrônicas mais sofisticadas são incrivelmente versáteis e dispõem de uma variedade quase infinita de ritmos complexos.

Muitas tem circuitos microeletrônicos que possibilitam programá-las, e estão aptas a criar sons surpreendentemente realistas.

Metrônomo

Metrônomo
É um tipo simples de relógio, que emite um clique a cada tempo.

O andamento pode ser ajustado movendo-se um pequeno peso para cima ou para baixo num eixo que oscila de um lado para outro.

Alguns vêm equipados com uma campainha que toca no primeiro tempo de cada compasso.

Fundamentos do ritmo musical

O ritmo pode ser definido como a maneira pela qual as diferentes durações dos sons se distribuem no tempo.

Quando ouvimos os pingos de chuva caindo num telhado, temos um exemplo de alternância entre impulsos rítmicos (os pingos) e pausas (os espaços de tempo entre um pingo e outro).

Conforme a chuva aumenta, sentimos que esse espaço de tempo entre os pingos se torna menor, como se o “ritmo” da chuva ficasse mais denso.

O ritmo musical se baseia, igualmente, na alternância entre impulsos rítmicos e pausas.

Mas conta com um elemento essencial, ausente no nosso exemplo: um padrão regular de pulsações.

Em música, é possível criar combinações rítmicas extremamente complexas e variadas.

Mas elas têm sempre como referência explicita ou implícita uma pulsação rítmica constante e regular.

Pode ser útil examinar os componentes básicos do ritmo musical traçando preliminarmente uma analogia bem simples.

Tomemos como exemplo um relógio despertador. Ele exemplifica muito bem um dos Compassos mais comuns: o compasso 2 por 4 (2/4).

O primeiro aspecto da analogia é que as sucessivas “pulsações” do relógio “os tique-taques” têm todas a mesma duração (pelo menos é o que se espera de um bom relógio).

Elas formam, portanto, um padrão regular e contínuo de pulsações rítmicas.

Em música, essa sucessão de pulsações regulares são os tempos (correspondentes aos pontos na figura abaixo):

Indicações de andamento tique-taque

Compasso

Mas uma sucessão pura e simples de pulsações (tempos) ainda não parece ser suficiente para configurar um ritmo.

É nesse ponto que intervém o primeiro fator rítmico essencialmente musical: os acentos.

No som do despertador, é fácil perceber que os tiques são um pouco mais acentuados que os taques.

Com isso, ao invés de uma simples sucessão de pulsações iguais, temos na verdade uma série de pulsações de mesma duração, mas agrupadas duas a duas, a primeira delas sempre um pouco mais forte, acentuada:
Indicações de andamento tique-taque

Esses acentos, os tiques de nosso exemplo conferem um princípio elementar de ordem à sucessão dos tempos: os agrupamentos de duas pulsações, uma forte, outra fraca.

Note que esses agrupamentos têm sempre o mesmo número de pulsações.

No caso são duas; mas poderíamos também ter grupos de três tempos, de quatro, cinco, seis etc.

Esses agrupamentos de tempos são o que se chama, em música, de “Compassos”.

As subdivisões

Vimos, portanto, que nossa sucessão de pulsações regulares adquire um princípio de ordem a partir do momento em que cada pulsação é integrada num todo maior “o compasso”.

Mas o processo inverso também é possível: subdividir cada pulsação ou tempo em frações menores.

Voltando ao despertador, notamos que cada “tempo” é formado por duas metades.

Experimente bater a mão sobre a mesa, enquanto diz tique-taque, tique-taque (isso pode parecer bastante insólito e até deixar as pessoas à sua volta um tanto intrigadas, mas são pequenas extravagâncias necessárias à aprendizagem).

Você perceberá que as sílabas “ti e ta” coincidem com os tempos do compasso; os “ques”, no entanto, acontecem quando a mão está levantada, prestes a marcar o tempo seguinte.

A primeira metade de cada tempo onde ocorrem as sílabas “ti e ta” é denominada cabeça do tempo, ou simplesmente tempo. A segunda metade é o contratempo.

Recapitulando, os elementos básicos do ritmo musical são: a sucessão de pulsações contínuas e regulares (os tempos); os agrupamentos dessas pulsações (os compassos); e as frações menores de cada tempo (as subdivisões).

Os símbolos musicais

Vejamos agora como ficaria em escrita musical o nosso exemplo do despertador.

Para representar as durações dos sons empregam-se símbolos apropriados: a semibreve, a mínima, a semínima, a colcheia, a semicolcheia, a fusa e a semifusa.

Lembre-se de que nenhum desses valores rítmicos tem duração de tempo absoluta.

Uma semínima, por exemplo, pode ter 1 segundo, meio, ou outra duração qualquer, mas equivale sempre as duas colcheias, quatro semicolcheias, oito fusas etc.

Para representar os tempos de uma música escolhe-se geralmente a semínima seminima, pois possibilita escrever durações menores (colcheias, semicolcheias etc.) e também durações maiores (mínimas e semibreves, que equivalem respectivamente a duas semínimas e quatro semínimas).

A duração absoluta de cada semínima vai depender da velocidade com que os tempos se sucedem, ou seja, do andamento escolhido. O que permanece invariável é a duração relativa dos valores.

Assim, qualquer que seja a duração absoluta da semínima seminima, ela sempre valerá o dobro da colcheia colcheia e a metade da minima minima.

Exemplos

Veja a sequência a seguir, onde estão representados os tempos do nosso exemplo:
andamento 2 por 4

O simbolo 2/4 é a fórmula de compasso. Indica que há dois tempos por compasso e que o valor rítmico escolhido para representar cada tempo é a semínima a qual se associa, por convenção, o número 4.

Marque a sucessão dos tempos batendo a mão sobre a mesa, escolha um andamento qualquer, sempre constante, digamos meio segundo para cada semínima e cante a sílaba “ta” junto com cada batida de mão.

Lembre-se que cada nota deve durar até o início da seguinte. Portanto, não faça um “ta” curto, mas prolongue-o até o início do seguinte.

Esse tipo de exercício é conhecido como solfejo rítmico, e é fundamental para aprender a ler música.

Vejamos agora como representar as subdivisões dos tempos.

Como a semínima foi escolhida para representar os tempos da música; as subdivisões de cada tempo em duas metades (cabeça do tempo e contra-tempo) deverão ser representadas pelo valor que equivale à metade da semínima.

Teremos, portanto, duas colcheias em cada tempo, o que será escrito assim:
andamento 2 por 4 solfejo 1

É dessa forma que poderíamos representar o tique-taque do despertador, ou seja, as subdivisões dos tempos.

Ao solfejar, continue marcando os tempos com a mão, enquanto canta as subdivisões, conforme está no esquema.

Finalmente, para representar as durações maiores do que um tempo, empregamos valores mais longos do que a semínima.

Tente solfejar o exemplo a seguir, considerando que a mínima minima vale o dobro da duração da semínima seminima.

Observe também que o segundo tempo do último compasso tem um sinal que representa uma pausa (é a pausa de semínima, ou seja, uma pausa de um tempo).
andamento 2 por 4 solfejo 2

Ao solfejar o exemplo acima, continue marcando com a mão a sequência regular dos tempos, cantando as notas conforme a sua subdivisão.

No caso da mínima minima, você deverá prolongar o som da sílaba “ta” até pronunciar o “ta” do primeiro tempo do último compasso.

Depois da pausa, recomece, sem interromper a marcação dos tempos com a mão.

Este é sem dúvida um exemplo dos mais simples de escrita musical.

As possibilidades de combinação são muito grandes.

Poderíamos ter quatro semicolcheias em alguns dos tempos, ou oito fusas, entremeadas ou não por pausas, e inúmeras outras combinações.

Mas, no essencial, os elementos serão sempre os mesmos, submetidos à relação mútua de dobro-metade, à pulsação básica dos tempos e à divisão dos compassos.

fonte: Toque – Ralph Denyer

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Autor: Airton

Profissional freelancer atuando nas áreas de Design Gráfico, Produção Gráfica e Web Design. Desenvolvo projetos para mídias impressas e digitais. Sempre interessado nos avanços das tecnologias, métodos e processos, venho me dedicando ao estudo do Marketing Digital. "Músico por paixão" :-)

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