Tonalidades

circulo-das-quartas-e-quintas

As tonalidades nas melodias são o centro em torno do qual a sua harmonia gravita. Esse centro é constituído pelas notas da escala em questão. Então, isso significa que uma melodia formada de notas da escala de C (Dó Maior), está na tonalidade ou no tom de C (Dó Maior). A primeira nota da escala é a tônica, e C (Dó Maior) é o centro tonal.

A indicação da tonalidade de uma música é dada pela armadura de clave (ou simplesmente armadura). Ela é constituída por uma série de sustenidos e bemóis, dispostos junto à clave, numa sequência padronizada.

As armaduras de clave são utilizadas para identificar as tonalidades indicar quais notas devem ser elevadas ou abaixadas para que sejam mantidos os mesmos padrões de intervalos nas escalas maiores e menores.

Exemplo: Caso se queira transpor uma melodia escrita na tonalidade de C (Dó Maior) para a tonalidade de G (Sol Maior), a nova armadura indicará que as notas F (Fá) devem ser sustenizadas.

A armadura é indicada pelos bemóis ou sustenidos colocados no pentagrama, entre a clave e a fórmula de compasso. Dessa forma, a presença de um F# (Fá sustenido) na armadura indica que a música está na tonalidade de G (Sol Maior) ou E (Mi menor) seu relativo.

A tonalidade de C (Dó Maior) é a mais simples de todas. Ela não contém nenhum sustenido ou bemol na armadura, não tem, portanto, armadura.

As mais simples, em seguida, são a tonalidade de G (Sol) que contém apenas um sustenido e a de F (Fá) que contém um bemol.

De que maneira a tonalidade de G (Sol Maior) está relacionada com a de C (Dó Maior)?
G (Sol), que é a 5ª nota (a dominante) na escala de C (Dó Maior), torna-se a 1ª nota da escala de G (Sol Maior). Porém para manter o padrão de intervalos da escala maior, a 7ª nota (a sensível) da nova escala tem de ser elevada em um semitom. E essa nota é o F (Fá), a 4ª nota (a subdominante) na escala de C (Dó Maior), que deve ser elevada para F# (Fá sustenido).

A regra, portanto, é a seguinte:
A 5ª nota (dominante) de qualquer escala pode ser utilizada para iniciar uma nova escala, na qual apenas uma nota precisa ser elevada, esta é sempre a 4ª nota da escala antiga, que se torna a 7ª nota da escala nova. Como demonstra o gráfico abaixo, a regra é válida para todas as tonalidades.

De que maneira a tonalidade de F (Fá Maior) é relacionada com a de C (Dó Maior)?
Desta vez, F (Fá) é a 4ª nota (a subdominante) da escala de C (Dó Maior), e a única nota que difere é a 7ª nota (a sensível), B (Si). Ela se torna a 4ª nota da nova escala; para manter o padrão de intervalos da escala maior, ela tem de ser abaixada em um semitom, passando para Bb (Si bemol).

A regra agora é diferente:
A 4ª nota (a subdominante) de qualquer escala pode ser utilizada para iniciar uma nova escala, na qual apenas uma nota precisa ser bemolizada; a 7ª nota da escala antiga, que vai se tornar a 4ª nota da nova escala.

Como o gráfico abaixo demonstra, essa regra também é válida para todas as tonalidades.

tonalidades-armaduras-com-sustenidos

tonalidades-armaduras-com-bemois

O Círculo das Quartas e Quintas

As armaduras podem ser ordenadas para formar aquilo que se chama Círculo das Quartas e Quintas. Esse recurso costuma ser empregado na teoria musical para ilustrar a relação entre as várias tonalidades.

O método através do qual as armaduras com sustenidos são formadas está representado seguindo-se o círculo no sentido horário.

Cada passo no sentido da dominante equivale a um intervalo ascendente de quinta (a partir da tônica), e implica o acréscimo de um sustenido extra.

No sentido anti-horário, está representada a formação das armaduras com bemóis.

Cada passo no sentido da subdominante equivale a um intervalo descendente de quinta (a partir da tônica), e implica o acréscimo de um bemol extra.

Conforme o círculo demonstra, na teoria é possível dar a volta completa no círculo em qualquer direção. A tonalidade de C (Dó Maior) pode, portanto, ser representada teoricamente como B# (Si sustenido) (com doze sustenidos) ou Dbb (Ré dobrado bemol) (com doze bemóis).
circulo-das-quartas-e-quintas

O sistema tonal

A música popular baseia-se no chamado sistema tonal. Em termos simples, trata-se de um sistema musical que emprega basicamente sete notas de uma escala, a escala maior. Dessa escala e da escala menor que possui basicamente as mesmas notas, mas outra organização interna de tons e semitons derivam-se os acordes empregados para fornecer o apoio harmônico à melodia.

A característica principal da música tonal é a presença clara de um centro (a tônica e seu acorde correspondente) em torno do qual a música gravita.

A música tonal manteve-se durante muito tempo em relativa estabilidade, girando sempre em torno da tônica. Isso faz com que a tonalidade da música, ou seja, o seu caráter acústico geral, fique claramente definido em relação a esse centro. Por essa razão é que se justifica o emprego de armaduras de clave na escrita musical.

O sistema consolidou-se por volta do século XVIII, só tendo sido questionado a partir do final do centro passado. Isso significa que abrange um período aproximado de apenas 200 anos na história da música. Antes disso, ao invés de empregar só essas duas escalas, os músicos lançavam mão de diversas outras.

A partir do século XX, a supremacia do sistema tonal foi também questionada pelos compositores da chamada música erudita, que começaram a trabalhar com outras organizações de tons e semitons. Alguns empregaram escalas pentatônicas como base de suas composições, outros, escalas de tons inteiros.

A música dodecafônica, por sua vez, propõe a utilização dos doze semitons cromáticos da escala, e não apenas as sete notas como material base para a composição.

Atualmente, algumas correntes da música popular passaram a incluir sistematicamente elementos alheios ao sistema tonal. É o caso de muitos grupos de música instrumental, alguns com raízes no Free jazz, outros no rock, outros sem filiação clara a um gênero ou outro.

Elementos básicos do sistema tonal foram ampliando seus limites até se transformar, dividindo-se em vários caminhos e assim abdicando de sua posição de supremacia.

Ao estudar as tríades você vê uma parte fundamental do sistema tonal: os acordes de três notas.

Com a evolução musical, passaram a ser empregados com maior frequência acordes de quatro, cinco notas, que abriam margem para utilização de outras notas além das sete presentes na escala maior. Eles geraram também a utilização de outras escalas e modos, como as escalas artificiais.

O Jazz empregou largamente esses recursos, a ponto de estabelecer um estilo harmônico próprio, que foi cada vez mais se afastando de suas origens tonais até desembocar, por exemplo, no chamado Jazz de vanguarda.

Atualmente, cada vez mais os elementos básicos da música: acordes, escalas etc. são vistos como simples pretextos para introduzir o músico em seu universo, e não como o material ao qual ele deverá estar forçosamente submetido para poder fazer música.

Identificação de tonalidades

Ao examinar uma partitura sabemos que os acidentes de armadura indicam duas alternativas: a música pode estar na tonalidade determinada, por convenção pelo número de acidentes, ou então na sua relativa menor.

Suponhamos que você encontre dois sustenidos na armadura. Nesse caso a tonalidade da música pode ser tanto ser D (ré maior) como Bm (si menor, relativa menor de ré maior).

Existem algumas indicações, porém, que permitem chegar rapidamente a uma conclusão a esse respeito, sem a necessidade de executar a música no instrumento.

Nota final e inicial

Se a música começa e termina na mesma nota, pode-se afirmar com boa margem de segurança que essa nota é a tônica.

No nosso exemplo abaixo, ela poderá ser a nota D (ré), a tônica de D (ré maior), ou então B (si), a tônica de Bm (si menor).
Tonalidade de D maior
tonalidade-d_maior
Tonalidade de B menor
tonalidade-b_menor

Cadência final

Outro aspecto importante na determinação precisa da tonalidade é a Cadência final, ou seja, os dois últimos acordes que encerram a música.

Em D (ré maior), a música determina quase sempre com uma cadência do tipo V-I, ou seja, com os acordes de dominante (A -C# – E) e de tônica (D – F# – A).

Em Bm (si menor), os acordes de dominante e tônica são, respectivamente, (F# – A# – C) e (B – D – F#).

Observe que, neste caso, além dos acidentes que já constam na armadura F# (fá sustenido) e C# (dó sustenido), ocorre ainda o A# (lá sustenido), nota sensível na escala de Bm (si menor).

Portanto, ao examinar os dois últimos compassos da música, e lá encontrando a nota A# ( lá sustenido), a peça seguramente estará na tonalidade de Bm (si menor), ver o exemplo da imagem acima.

Uma Cadência de Quartas e Quintas

Nesse post acima vimos a organização das tonalidades dentro do Círculo das Quartas e Quintas.

Examine agora a seguinte sequência de acordes ordenados conforme o círculo das Quartas e Quintas

cadencia-quartas-e-quintas
Toque esta cadência de acordes no violão.

Começando pelo primeiro acorde C7 (dó com sétima), vemos que ele é dominante (acorde de quinto grau do acorde seguinte F (fá).

Este, ao invés de aparecer como acorde de tônica, é transformado, pelo acréscimo da 7ª (sétima), em nova dominante, agora de Bb (si bemol).

Com isso, cria-se uma sequência de dominantes que sai de C (dó) e volta de novo a C (dó), após transitar por todos os acordes de 7ª (sétima).

Isso propicia um excelente meio para sair de qualquer tonalidade e alcançar outra, mesmo que esteja distante da primeira.

Experimente, por exemplo, executar essa progressão até o acorde Gb7 (sol bemol com sétima) ou F#7 (fá sustenido com sétima), o que é a mesma coisa; nesse ponto, ao invés de continuar com B7 (si com sétima), encerre a progressão colocando um acorde de Bm (si menor) “tônica precedida de dominante”.

Dessa forma, você saiu de C (dó), uma tonalidade sem acidentes e terminou em Bm (si menor) uma tonalidade com dois acidentes na armadura.

O mesmo procedimento pode ser aplicado em qualquer ponto da progressão.

Esse recurso é muito importante para a modulação.

fonte: Toque – Ralph Denyer

🙂 😳 😆

RSS
FACEBOOK
GOOGLE
https://mdplus.com.br/guitarra/tonalidades-na-musica/
TWITTER
YouTube

Autor: Airton

Profissional freelancer atuando nas áreas de Design Gráfico, Produção Gráfica e Web Design. Desenvolvo projetos para mídias impressas e digitais. Sempre interessado nos avanços das tecnologias, métodos e processos, venho me dedicando ao estudo do Marketing Digital. "Músico por paixão" :-)

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.